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ESPÍRITO DE NATAL O ANO TODO

21.12.2009

Bete trabalha em uma empresa terceirizada da Trensurb, na Estação São Leopoldo, na limpeza de trens e estações, e se dedica nos horários livres a ajudar as pessoas. O espírito de Natal ela mantém o ano todo, Bete é um exemplo de cidadã.

Bete trabalha em uma empresa terceirizada da Trensurb, na Estação São Leopoldo, na limpeza de trens e estações, e se dedica nos horários livres a ajudar as pessoas. O espírito de Natal ela mantém o ano todo, Bete é um exemplo de cidadã.

Alegre, descontraída, caridosa e por vezes emotiva. Assim pode ser descrita Elisabete Anger Ouriques, 58 anos, funcionária contratada por empresa terceirizada da Trensurb. Ela mantém os trens e a estação limpos diariamente, junto com seus colegas de trabalho. Nascida em 25 de dezembro, em São Luiz Gonzaga, interior gaúcho, Bete, como é chamada pelos colegas, se dedica a ajudar famílias carentes todos os anos. Com o dinheiro que ganha através do recolhimento e venda de latinhas, Bete compra cestas básicas e brinquedos para distribuir. “Quando eu vejo no rosto das crianças a alegria de ganhar um brinquedo, eu fico feliz”, diz emocionada. A funcionária já participou até mesmo de um programa de rádio, que lhe cedeu uma roupa de Mamãe Noel para que pudesse levar os brinquedos arrecadados em algumas creches, com a ajuda de amigas. Ela atribui parte de sua caridade ao fato de ter nascido no dia de Natal, “Sou pobre, mas sou rica da graça de Deus”, diz. Bete conta que, quando criança, era a mais desinibida e comunicativa dos dez irmãos. Por esta razão, seu pai, militar, gostava de apresentá-la aos seus colegas do quartel e fazia grandes festas em sua casa para os militares, no período natalino. Ela, então, vendo todo o desperdício gerado pelas festas, impôs uma condição para que seu pai lhe apresentasse aos colegas: pediu que levasse parte da comida preparada nas festas aos vizinhos mais pobres. “Assim, eu sabia que enquanto eu fazia minha refeição, os meus amigos estavam saciados da fome”, diz.

Apesar do trabalho e da dedicação em prol da caridade, Bete encontra tempo para dedicar-se também a escrever poemas, paixão que lhe rendeu o título de Primeira Prenda, no CTG 20 de Setembro, em Santo Ângelo, onde morou por alguns anos. O desafio era escrever um poema com 15 palavras selecionadas pelo júri, além dos demais critérios avaliados, como simpatia, beleza e inteligência. Bete competiu com outras 86 candidatas e se destacou entre elas. Ela conta que escreve desde os tempos de escola, na época em que morava em Cerro Largo, também no interior gaúcho. “Eu lembro que eu ia para a escola de canoa, pois não havia outro meio de estudar, mas graças a Deus consegui terminar os estudos”. Em seus textos, Bete fala sobre sua origem, sua terra e as saudades que sente do lugar. Ainda em Cerro Largo, aos oito anos, cantou no programa Clube da Garotada, na Rádio Sociedade Cerro Azul, e participou do grupo teatral Viva Gente, através do qual pôde conhecer o Rio de Janeiro, devido ás apresentações que fazia.

Atualmente, Elisabete mora em Canoas e é mãe de quatro filhos, sendo três meninas e um menino. O garoto, Ricardo William Anger, 15 anos, está inscrito no processo seletivo de aprendizes do Programa Estação Educar, da Trensurb, que busca a aprendizagem profissional, através do desenvolvimento do curso de Assistente Administrativo. Ricardo já passou pela primeira e segunda etapa no processo de seleção, e Bete se mostra confiante: “Tenho certeza que meu filho vai conseguir participar do curso, o incentivei muito. O que a gente pode deixar pros filhos senão os estudos? Se tu deres uma coisa material, ele pode acabar perdendo, e o estudo não”, diz.

No período de um ano e três meses em que trabalha na limpeza da Estação São Leopoldo, da Trensurb, o fato que mais lhe marcou foi ter encontrado uma pasta de um piloto da Varig, que continha carteira com dinheiro e o seu crachá. “Vi de quem era pelo crachá. Ao buscar a pasta e perceber que estava tudo em ordem, ele quis me recompensar com uma quantia em dinheiro. Mas recusei, era minha obrigação devolver o que achei”, diz. Segundo ela, é comum achar objetos no interior dos trens. “Sempre encontramos materiais de estudantes e outros objetos, e entregamos ao Achados e Perdidos da Trensurb”.

Com um exemplo de honestidade e caridade, Bete deixa uma mensagem de Natal: “Desejo a todos Feliz Natal, com muita saúde e paz no coração, e peço que se puderem, façam como eu, ajudem as pessoas necessitadas. Pode ser uma pequena ajuda, mas já fará a diferença para estas pessoas".


Foto: Andressa Pazzini

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