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COLETÂNEA DOS ARTISTAS GAÚCHOS: ZORAVIA BETTIOL

15.02.2022

Confira a entrevista que fizemos com a artista participante da Coletânea sobre sua obra e a participação no projeto.

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos – a biblioteca do metrô –, a Trensurb está promovendo a Coletânea dos Artistas Gaúchos, novo projeto cultural que busca destacar a produção dos artistas visuais do estado, dando visibilidade ao seu trabalho para um público que não tem o hábito de frequentar os espaços tradicionais de exposição de arte. Os perfis nas redes sociais da Trensurb e do Espaço Multicultural divulgam, mensalmente, três obras de cada um dos 15 artistas participantes do projeto. As obras também estarão nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações), que apoia o projeto. A curadoria da Coletânea é do poeta e assessor da Trensurb, Élvio Vargas, da artista multimídia Liana Timm e da professora Dione Detanico.

Em fevereiro a Coletânea destaca as obras CelebrarFofocar e Magicar, todas da série Sentar, Sentir, Ser, de Zoravia Bettiol. Artista plástica, designer e arte-educadora, Zoravia nasceu em Porto Alegre, em 1935. Participou de mais de 150 exposições individuais e 400 coletivas, desde 1959, na América do Sul, Europa, Estados Unidos e Japão. Suas obras estão em acervos de alguns dos principais museus e centros culturais do mundo, como o Brooklyn Museum, em Nova York, o Kunstindustriemuseet, em Oslo, Gabinet des Estampes Bibliothéque Nationale, em Paris, e o Museum of Modern Art, em Kyoto. Recebeu os prêmios: ABCA 2018, na categoria Homenagem pelo conjunto da obra; Prêmio Lideres e Vencedores 2012, categoria Expressão Cultural, da  Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e Federasul; 2º Prêmio Joaquin Felizardo, em Artes Plásticas, em 2008; Comenda Pedro Weingärtner, por serviços prestados à comunidade, concedido pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre, em 2002. Foi homenageada em 2015 com a criação do Instituto Zoravia Bettiol, que preservará sua arte além de difundir cultura e artes visuais.

Confira a seguir a entrevista que realizamos com ela a respeito da participação no projeto e sua obra.

Como vês o projeto “Coletânea dos Artistas Gaúchos”?

Zoravia Bettiol - Todo projeto que movimenta a arte, cultura e educação sempre é bem-vindo e, mais ainda, este que aproxima os artistas gaúchos do público, que, infelizmente, tem pouco contato, pois os meios de comunicação divulgam com muita parcimônia a arte dos nossos artistas.

A natureza - enquanto matriz inspiradora da tua arte - tem uma decisão íntima de te guiar em todas as manifestações de tuas produções artísticas?

Zoravia Bettiol - Sim, a natureza sempre foi uma forte inspiração para o meu trabalho. Um viés importante na minha obra é o ambientalismo, que se manifesta em quase todas as manifestações artísticas as quais me dedico, como gravura, pintura, arte têxtil, desenho, instalações e performances.

O conhecimento e domínio de várias técnicas te remetem a um perfil universal?

Zoravia Bettiol - As técnicas são um meio para que o artista expresse sua mensagem e, muitas vezes, ela tem conteúdo universal.

A pluralidade étnica da tua origem influenciou tuas criações artísticas?

Zoravia Bettiol - Sim, influenciou bastante minha obra, pois realizei séries inspiradas em raízes europeias, como: a série Kafka, de xilogravuras; Divina Rima, de desenhos e gravuras digitais, inspirada na obra Divina Comédia, de Dante Alighieri; Deuses Olímpicos, de xilogravuras relacionadas com a cultura grega.

Outra forte identificação na minha obra vem da cultura dos povos indígenas brasileiros e da arte de raízes africanas. Representei os orixás em arte têxtil, nas jóias da série Oxum e na série de xilogravuras Iemanjá. Quanto à influência indígena, a expressei na série de arte têxtil intitulada Indígena, e na pintura Amazônia - Pujança e Cobiça, que fez parte da instalação Me Dejas Loco América.

O humor está presente em fases da tua obra?

Zoravia Bettiol - O humor, muitas vezes, aparece de forma sutil e delicada em minha obra. Outras vezes, marca forte presença como na série Cadeiras pra que te quero, e na série Sentar, Sentir, Ser. Acho o humor fascinante, mas muito difícil de representar, pois há um timing que não pode ser perdido.

Desde quando tu produzes arte? Como foi tua trajetória?

Zoravia Bettiol - Desde criança, as artes visuais ocuparam um papel importante na minha vida, pois fazia brinquedos com papel colorido, desenhava e pintava bastante também. Na quarta série do Ginásio, me sobressai nas aulas de desenho e isto foi o estímulo para que eu entrasse no Instituto de Belas Artes e seguisse a carreira artística.

Falar em trajetória já seria, por si só, uma reportagem, pois eu me dedico às artes visuais há 66 anos, trabalhando com desenho, pintura, gravura, arte têxtil, objeto, instalações, performances, murais, design de superfície, ilustrações, etc.

O que motivou a escolha das artes para a Coletânea? O que elas significam para ti? O que cada uma representa?

Zoravia Bettiol - Escolhi três obras da série Sentar, Sentir, Ser, que são Celebrar, Fofocar e Magicar. A forma escolhida para concretizar essa proposta artística constitui uma série de fotografias, nas quais 27 ações constituíram uma síntese das centenas de ações envolvidas com o sentar, nas quais o humor e o lúdico mantêm-se, perpassando toda a obra.

As fotos têm a mim como modelo-personagem de cada ação. A fotografia, neste caso, é um meio para registrar uma cena imaginada, desenvolvida e concretizada pela ação da própria artista e finalizada com pintura acrílica.

Acredito que essas obras são bastante acessíveis para um público diversificado que é o da Trensurb.

Como é teu processo criativo?

Zoravia Bettiol - Meu processo criativo varia um pouco dependendo do procedimento técnico empregado. Mas, em linhas gerais, tem algumas etapas, que são: informação e pesquisa do tema; elaboração mental, que é uma etapa muito longa; execução, que se subdivide em croquis, ampliação dos mesmos na escala definitiva, desenvolvimento da obra, detalhamento e acabamento.

Quais temas tu mais gostas de abordar em tuas artes?

Zoravia Bettiol - Criei a obra vestível Caleidoscópio, que faz referência aos cinco temas mais importantes do meu trabalho artístico, que são: o lírico, o mítico, o ecológico, o social e o humorístico.

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