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SEMINÁRIO PROMOVIDO POR TRENSURB E ANPTRILHOS DISCUTE MOBILIDADE URBANA

10.07.2019

Evento realizado na terça-feira (9), na sede da empresa metroviária, em Porto Alegre, contou com a presença de especialistas, gestores públicos e autoridades da região metropolitana, além de painelistas locais e do centro do país.

Trensurb e Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) promoveram, na terça-feira (9), o seminário “Desafios para o Avanço da Mobilidade sobre Trilhos na Região Metropolitana de Porto Alegre”. Realizado na sede da empresa gaúcha, em Porto Alegre, o evento contou com a presença de especialistas, gestores públicos e autoridades, buscando debater o futuro dos trilhos na mobilidade urbana nas cidades e apresentar aos gestores os benefícios da expansão da rede metroferroviária.
 
Autoridades e gestores: integração é prioridade
 
Na abertura do seminário, o diretor-presidente da Trensurb, David Borille, deu boas-vindas aos presentes e falou sobre a importância do trabalho em conjunto para qualificar a mobilidade na região: “A nossa cidade, a nossa região metropolitana precisam desse esforço”. Borille classificou ainda como “fundamental” a integração do transporte sobre trilhos com os demais modais.
 
Em sua fala no ato de abertura, o presidente do conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores, destacou “o papel estruturador da mobilidade urbana nas nossas cidades”. Disse que são necessários diversos avanços para qualificá-la e que há muitos desafios nesse sentido. Salientou ainda a importância da integração entre os modais: “Não existe mobilidade adequada só com trilho ou só com pneu”. Por fim, afirmou que o objetivo do seminário era promover a troca e o surgimento de ideias capazes de contribuir para qualificar a mobilidade urbana e “transformar as regiões metropolitanas em lugares melhores de se viver”.
 
Outras autoridades e gestores presentes também manifestaram-se durante a abertura do evento. Diretor-presidente do VLT Carioca, Márcio Hannas falou brevemente sobre as características do sistema administrado pela empresa onde atua, que, segundo ele, retoma o legado dos antigos bondes no Centro do Rio de Janeiro.
 
Secretário Extraordinário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Rodrigo Tortoriello representou a prefeitura da capital. Para ele, a atual crise do transporte público, com queda acentuada da demanda, representa uma janela de oportunidade para se promover transformações nos sistemas – e a integração é essencial. O secretário acredita que para “salvar” o sistema de transportes, é preciso “coragem, ousadia e determinação nesse processo de integração metropolitana”.
 
O secretário de Transportes e Mobilidade de Canoas, Ademir Zanetti, falou da importância de se ter um sistema integrado, racional e com uma tarifa justa. Citou também o desafio que representam as gratuidades, que chegam a 28% do total de viagens nos ônibus urbanos de Canoas.
 
Representando a administração municipal, o secretário de Planejamento, Habitação, Segurança e Mobilidade de Sapiranga, Carlos Maurício Regla, falou do desejo existente na cidade de se conectar à linha da Trensurb. Afirmou ainda que esperava que o seminário trouxesse perspectivas concretas de avanços na mobilidade da região.
 
Diretor-superintendente da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), Rodrigo Schnitzer parabenizou a organização do evento e afirmou que a mobilidade urbana é um tema de grande relevância e que, hoje, encontra-se em situação delicada. Ele destacou os esforços da Metroplan e outras instituições para a reorganização do transporte na Região Metropolitana de Porto Alegre, que deve se dar a partir da licitação que está sendo preparada pela fundação. O objetivo é qualificar e racionalizar o sistema, além de estabelecer uma tarifa adequada às expectativas da população. Para Schnitzer, a integração entre os modais e o espírito colaborativo, com a participação dos municípios e da Trensurb, são essenciais nesse processo.
 
O superintendente técnico da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Aícaro Humberto Ferrari, destacou a importância de se debater mobilidade e disse que a Famurs está à disposição para contribuir em avanços nesse tema.
 
Diretor do Departamento de Planejamento e Gestão da Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, Cléver de Almeida representou a Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos do Ministério. Ele destacou a “união de todos os atores” presentes no seminário, que considera de grande importância para uma discussão que tem como objetivo final “melhorar a vida das pessoas”.
 
Representando a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o deputado estadual Sebastião Melo afirmou que “o transporte público é um bem social” e é importante qualificá-lo em Porto Alegre e na região metropolitana, que hoje, para ele, têm um “sistema irracional”. O deputado acredita que, para essa qualificação, seria necessária a formação de um consórcio gestor metropolitano e a definição de um modelo de negócios eficiente e de formas de subsídio, além da integração entre modais.
 
Prefeito de Esteio, Leonardo Pascoal parabenizou a organização do evento e afirmou que o debate sempre é válido. Falou ainda de sua expectativa para o seminário: que pudesse gerar “boas ideias que deem frutos e possam qualificar a mobilidade da região metropolitana”.
 
Secretário Adjunto de Articulação e Apoio aos Municípios do Rio Grande do Sul, Francisco Zancanaro de Abreu representou o Governo do Estado. Ele agradeceu pelo convite e afirmou que a secretaria onde atua está à disposição para contribuir como possível.
 
Painel 1: panorama do setor e implantação do VLT
 
No primeiro painel do seminário, o presidente do Conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores, apresentou um panorama da mobilidade urbana e as perspectivas do setor metroferroviário no Brasil. Flores começou abordando o problema representado pelo atual nível de imobilidade nas grandes cidades, que afeta negativamente a produtividade e a qualidade de vida nas regiões metropolitanas. Além do elevado tempo de deslocamento, o modelo atual de transporte gera grande emissão de poluentes e elevado número de acidentes. A cada hora, cinco pessoas morrem em acidentes de trânsito no Brasil. R$ 3 bilhões foi o custo para que o Sistema Único de Saúde atendesse 1,6 milhão de feridos no trânsito entre 2009 e 2018. Para Flores, ao considerarmos esses fatores, justifica-se o investimento necessário para implantação de transportes sobre trilhos. A saturação do modelo atual e a crescente urbanização são outros elementos que reforçam a necessidade desse tipo de investimento. Segundo o painelista, nos últimos 70 anos, a população brasileira quase triplicou, enquanto que a população urbana cresceu em cerca de dez vezes. “O que estrutura é transporte de alta capacidade”, afirmou. Investimento nos modais desse tipo trazem mais agilidade, regularidade, mobilidade, capacidade e previsibilidade nos deslocamentos. Mas, para uma rede de transporte eficiente, é preciso haver integração entre os modais. “A rodovia tem a capilaridade que o trilho nunca vai ter, mas uma coisa não funciona sem a outra”, declarou. Algumas das vantagens adicionais da implantação de linhas metroferroviárias apontadas pelo painelista são a revitalização urbana, a valorização imobiliária e o desenvolvimento socioeconômico associados.
 
Apesar da necessidade de um volume considerável de investimentos para qualificação e ampliação da malha brasileira de sistemas de trilhos urbanos, Flores demonstrou que o custo total – incluindo-se implantação e operação – de um sistema de VLT ao longo de sua vida útil é menor que o de um sistema de BRT. Como o retorno é a longo prazo, porém, é necessário que esse tipo de investimento seja política de Estado e não projeto de governo. O painelista ainda apresentou brevemente cinco propostas prioritárias da ANPTrilhos para o avanço da mobilidade: elaboração de um abrangente plano de estruturação estratégica da mobilidade urbana nacional, com foco no transporte de passageiros sobre trilhos; definição de prioridades de investimentos no Plano de Mobilidade Urbana Nacional; fortalecimento de marcos regulatórios para conferir segurança jurídica aos empreendimentos; incentivo à modernização e à ampliação dos sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos; instituição de taxas de financiamento mais atrativas para projetos estruturantes de transporte de passageiros sustentável.
 
A seguir, o diretor-presidente do VLT Carioca, Márcio Hannas falou da concepção, dos desafios da implantação e dos resultados das linhas operadas pela empresa no Centro do Rio de Janeiro. Segundo Hannas, o projeto surgiu para realizar a conexão entre modais que abastecem o Centro da cidade, além de promover a revitalização da zona portuária e a integração de bairros da região. Alguns dos desafios apontados pelo painelista foram o mapeamento de interferências a serem remanejadas, a prospecção de arqueologia para preservação de elementos históricos, a negociação de desapropriações necessárias e o planejamento do impacto das obras na rotina da cidade. Outra dificuldade mencionada foi a não realização da reconfiguração das linhas de ônibus da região, que deveria ser promovida pelo poder público para racionalizar o sistema de transporte com a entrada em operação do VLT. Essa reorganização ainda não ocorreu, três anos depois do início da operação do novo modal. Ainda assim, segundo Hannas, os resultados do projeto são positivos, com média de cerca de 80 mil passageiros transportados por dia, 92% de aprovação dos usuários e um legado importante para o turismo e o desenvolvimento urbano na região central do Rio de Janeiro.
 
Após as apresentações dos painelistas, abriu-se espaço para perguntas e discussões, que tiveram como foco o sistema de alimentação dos veículos do VLT Carioca, questões de integração tarifária, de valor da tarifa e de custos de implantação e operação de metrô e VLT.
 
Painel 2: estudos para expansão do metrô, mobilidade integrada e financiamento
 
O segundo painel do seminário teve início com uma apresentação do diretor-presidente da Trensurb, David Borille. Ele tratou de estudos preliminares da empresa para expansão dos serviços a outros seis municípios – Cachoeirinha, Gravataí, Alvorada, Campo Bom, Sapiranga e Triunfo – além daqueles atendidos atualmente – Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo. A população dos municípios atualmente atendidos pela linha da Trensurb é de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes. Com a expansão dos serviços aos demais locais estudados, a população total dos municípios atendidos pela Trensurb ultrapassaria os 3,3 milhões de habitantes, um incremento de cerca de 32%.
 
Na primeira fase dessa expansão, a Linha 2 da Trensurb iria da região da Azenha, em Porto Alegre, até o terminal Triângulo, à Fiergs e ao município de Cachoeirinha, com 23,6 quilômetros de trilhos e 20 novas estações. Numa segunda fase, a linha passaria por Cachoeirinha e chegaria até Gravataí num trajeto de 12,3 quilômetros com oito estações. Uma terceira fase contaria com um ramal de 8,7 quilômetros, saindo do terminal Triângulo e indo até Alvorada, com cinco estações adicionais. O trecho até o Triângulo seria em via subterrânea e os demais em via elevada. Com a conclusão dessa expansão, estima-se uma demanda de 430 mil passageiros por dia na Linha 2 e 220 mil na Linha 1. O custo total estimado é de US$ 3,3 bilhões.
 
A expansão da Trensurb até Campo Bom e Sapiranga seria feita por VLT, em duas fases. A primeira partindo da Estação Novo Hamburgo do metrô num trajeto de 9,5 quilômetros até Campo Bom, com 12 estações. A segunda, de Campo Bom a Sapiranga, com 7,1 quilômetros e quatro estações. A demanda total estimada para os dois trechos é de 24 mil passageiros. A Trensurb também estuda a criação de um ramal de Canoas até o Polo Petroquímico de Triunfo com 22,5 quilômetros e duas estações, uma no Polo e outra no bairro Harmonia, em Canoas, atendendo também a população do bairro Mathias Velho.
 
Esses projetos estudados significariam 51 novas estações e mais 83,7 quilômetros de via em adição aos atuais 43,8 quilômetros e 23 estações (contando-se a estação do aeromóvel junto ao Terminal 1 do Salgado Filho). Também reduziriam em cerca de 8 mil o número de viagens diárias de ônibus ao Centro de Porto Alegre, em aproximadamente 3 mil toneladas a emissão anual de poluentes e em 13,8 mil o número potencial de acidentes de trânsito. Borille definiu os projetos como um “sonho”, mas que poderia ser realizado com uma possível parceria da iniciativa privada.
 
A apresentação seguinte foi do secretário adjunto de Projetos Estratégicos da Prefeitura de Canoas, Francisco Hörbe. Ele iniciou com um panorama da mobilidade urbana da Região Metropolitana de Porto Alegre, que tem 34 municípios e 4,3 milhões de habitantes. Segundo o secretário, há mais de 900 linhas de ônibus metropolitanos e seis delas são responsáveis por cerca de 40% de toda a demanda. 30 mil viagens diárias chegam ao Centro de Porto Alegre ao invés de abastecer sistemas troncais. Esses são, segundo o painelista, sintomas da irracionalidade da rede de transporte coletivo da região. Outro é a crescente taxa de motorização nas cidades (número de veículos em relação ao número de habitantes) – que, aliás, cresce em ritmo menor nos municípios atendidos pela Trensurb.
 
Hörbe passou então a falar dos desafios na mobilidade em Canoas, cidade cortada por quatro grandes rodovias federais e pela linha do trem. Hoje, estão sendo desenvolvidos estudos para a implantação de uma rede estrutural de mobilidade urbana no município, com quatro eixos: um sistema troncal de transporte coletivo; uma rede complementar de mobilidade, com definição de vias estruturantes, número de linhas urbanas e metropolitanas, além de um corredor de ligação metropolitano; uma rede cicloviária, integrada às estações da Trensurb em Canoas; a revitalização da área central de Canoas, delimitada pela BR-116 e a linha da Trensurb. A implantação desse sistema beneficiaria pelo menos 70 mil usuários do transporte urbano, custando R$ 224 milhões. O secretário elencou ainda alguns desafios para a qualificação da mobilidade urbana: a dificuldade de se estabelecer uma gestão compartilhada, com sistemas integrados de bilhetagem e redes estruturais integradas e a adoção de sistemas sustentáveis, com investimento em tecnologias menos poluentes, transporte público e transporte complementar, como bicicletas.
 
A apresentação final do painel foi do diretor do Departamento de Planejamento e Gestão da Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, Cléver de Almeida. Ele iniciou tratando das principais ações da Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos do Ministério, que incluem: esforços para alinhamento das estratégias da Política Nacional de Mobilidade Urbana com as políticas urbanas setoriais; elaboração de estudos relacionados à eletromobilidade nas cidades; financiamento de estudos e projetos; estabelecimento de um modelo de atuação em rede com os estados; atração da iniciativa privada e busca de novas fontes de recursos públicos e privados para financiamento da mobilidade urbana; identificação de ações buscando melhorias operacionais nos sistemas de transporte. Almeida afirmou também que o Ministério do Desenvolvimento Regional está trabalhando no desenvolvimento do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que deve trazer uma visão focada em resultados como diminuição do tempo de deslocamento e da emissão de poluentes. No entanto, o Plano não trará metas estanques, como construção de determinado número de quilômetros de rodovias ou ferrovias. Segundo ele, o plano deve orientar a visão das cidades, porém a adoção de soluções específicas ficará a cargo de cada município ou estado.
 
A seguir, o diretor do Ministério apresentou os programas de financiamento do governo federal como o Avançar Cidades – Mobilidade Urbana, que oferece crédito aos municípios para diversas ações de mobilidade, incluindo a implantação de novos sistemas de transporte público, a realização de estudos e projetos executivos, a execução de terminais, estações, ciclovias, vias exclusivas para pedestres e até mesmo a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana local (nesse último caso, apenas para cidades com mais de 100 mil habitantes). Há também programas como o Refrota, específico para que operadores privados de transporte por ônibus renovem suas frotas, e o Retrem, que oferece financiamento a entes públicos e privados para aquisição ou reforma de veículos metroferroviários. Almeida concluiu sua apresentação declarando: “Precisamos trabalhar com a união de esforços, com a integração de todos, para melhorar a mobilidade urbana e, consequentemente, a vida das pessoas”.
 
Após o término das apresentações, os painelistas discutiram com os presentes questões relativas a integração intermodal, escolha de tecnologia para atender determinada necessidade de deslocamento, entre outros temas.
 
Avaliação do evento
 
“Esse evento é o primeiro que a ANPTrilhos está realizando nas 14 regiões metropolitanas do Brasil e agradecemos a associação por ter nos dado a oportunidade de sermos precursores nisso”, declara o diretor-presidente da Trensurb, David Borille. “O nível das palestras apresentadas foi excelente e isso estimula as pessoas a participarem”, avalia. Sobre a expansão dos serviços da Trensurb, Borille afirma: “Temos que levar essa ideia, do nosso sonho da Linha 2, para frente, pois a única forma de conseguirmos fazer as coisas é trazê-las à luz e trabalhar em cima delas”.
 
Presidente do Conselho da ANPTrilhos, Joubert Flores avalia que o seminário cumpriu o seu papel, de “vender a ideia” do transporte sobre trilhos como elemento estruturador da mobilidade urbana. “Conseguimos convidar gente de peso da Região Metropolitana, gente que tem poder de decisão, das prefeituras, das secretarias, e mostrar que o transporte sobre trilhos ajuda a estruturar a mobilidade”, afirma. “A própria participação do Ministério demonstra que estamos conseguindo fazer essa ideia evoluir”, completa.
 
Foto: Angelo Pieretti/Trensurb

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