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ESTAÇÃO CULTURAL: EM LIVE DA TRENSURB, AUTORES GAÚCHOS FALAM SOBRE IMPACTO DA PANDEMIA NA LITERATURA

08.06.2020
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Em retomada virtual de projeto cultural, bate-papo com Alcy Cheuiche, Armindo Trevisan e Élvio Vargas teve transmissão por meio da página do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos no Facebook.

Na última sexta-feira (5), a Trensurb realizou um bate-papo com transmissão ao vivo com os autores gaúchos Alcy Cheuiche, Armindo Trevisan e Élvio Vargas. O tema proposto foi o impacto da Covid-19 no mundo da literatura, porém os escritores, referência na cultura gaúcha, também apresentaram textos – incluindo material inédito –, falaram de seus processos criativos e de projetos em andamento. A live foi veiculada e segue disponível por meio do Facebook, na página do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a biblioteca da Trensurb. A atividade marcou a retomada do projeto Estação Cultural por meio das plataformas digitais. Lançado originalmente em 2018 e realizado novamente no segundo semestre de 2019, o projeto levou às estações do metrô ações regulares como oficinas, apresentações musicais e cênicas.
 
Primeiro convidado a falar durante a transmissão, Élvio Vargas é poeta, com quatro livros publicados, organização de diversas obras e participação em mais de 50 outros livros. Foi patrono (2007) e homenageado especial (2011) da Feira do Livro de Alegrete. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, atua desde abril como assessor cultural na Trensurb, tendo trabalhado na organização da atividade de sexta-feira. Em relação ao isolamento no contexto da criação literária, Vargas afirmou: “Já faz parte do nosso dia a dia, é difícil escrever em meio ao agito geral, temos que nos recolher. O silêncio é uma matéria-prima do escritor, através dele a nossa urdidura lírica fica mais emancipada, livre e mais produtiva”. Sobre o processo de produção da escrita, ele descreveu: “Uma palavra abre a campanha da escrita, um filme, uma imagem, uma lembrança”. Contou ainda que a música clássica lhe serve como inspiração para escrever. Sobre as novas ações culturais da Trensurb em meio à pandemia, Vargas explicou: “A ideia é fazer convites para pessoas com trajetórias na literatura, cultura, dança, cinema, música para participarem de lives”. Também leu um de seus poemas, intitulado Oráculo, que está em seu livro Estações de Vigília e Sonho. O último verso anuncia: “Vem aí a esperança”.
 
Alcy Cheuiche é reconhecido como um dos grandes escritores do Brasil, com obras traduzidas para diversos idiomas e muitas distinções recebidas por sua atividade literária, entre elas as medalhas Simões Lopes Neto, Santos Dumont, Oswaldo Aranha e o Prêmio Açorianos. Em 2006, foi Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. Também membro da Academia Rio-Grandense de Letras, trabalha ainda como orientador de oficinas de criação literária. Ele iniciou sua participação na live do Estação Cultural declamando alguns versos, iniciando com: “Eu não nasci para viver sozinho”. Em seguida, afirmou que “a poesia está sempre circulando em nossas cabeças, agitando” e que “estamos vivendo um momento em que não se pode ficar isolado, de maneira nenhuma”, destacando a importância do contato com os alunos de suas oficinas e de seu interesse por escrever e preencher esse período com a literatura. Cheuiche considera que o trem, de maneira geral, tem uma “importância incrível dentro da literatura”, já tendo servido de cenário, inclusive, para obras suas. Comenta que já usou bastante o sistema da Trensurb e já visitou a unidade do EMLsT em Novo Hamburgo, onde se sentiu “perfeitamente em casa”. Ao explicar o funcionamento de sua oficina de poesia e declamação, afirmou: “A poesia precisa ser declamada, pertenço a uma geração que sempre declamou bastante. Na oficina, é preciso que o grupo se forme, que cada um acredite em si mesmo, mas que o grupo se una.” E completou: “Mesmo na situação que estamos vivendo agora é impressionante como as pessoas estão acreditando na literatura”. Sobre sua rotina, afirmou que está trabalhando mais agora na oficina, com análises mais profundas da produção dos participantes. Também relatou que tem se dedicado a escrever contos e não romances, que tomariam muito mais tempo e poderiam dificultar a dedicação à oficina. Ao falar sobre a evolução das mídias na literatura, declarou: “Eu não me importo onde o meu leitor me lê, eu quero que ele me leia”. E disse que acredita que o físico e o virtual vão se aliar no futuro.
 
Doutor em Filosofia pela Universidade de Friburgo, na Suíça, Armindo Trevisan é professor aposentado de História da Arte e Estética pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Publicou dezenas de livros de poemas e ensaios, com obras traduzidas para várias línguas. Em 2001, foi o patrono da Feira do Livro de Porto Alegre. Último convidado a participar da atividade do Estação Cultural, ele revelou que produziu um diário poético da pandemia. “Eu achei que nunca ia fazer poesia de uma coisa tão triste, tão melancólica, tão preocupante, socialmente falando, e até com muitos riscos de vida”, afirmou. Disse ainda que “foi uma experiência ao mesmo tempo dolorosa e expressiva”. Citou a obra A Peste, de Albert Camus, e comparou-a à realidade de crise sanitária que estamos vivendo, afirmando que se trata de “praticamente, um retrato antecipado do que está acontecendo conosco”. Lembrou também da ironia do personagem Joseph Grand, escritor aspirante que, na obra de Camus, reescreve diversas vezes a primeira frase de seu romance buscando melhor expressar seus sentimentos. Em seguida, Trevisan destacou: “Eu acho que a obrigação do poeta é salvar a memória dessa coisa triste como os autores do passado”, citando episódios trágicos relatados principalmente na Bíblia. “Deixar um testemunho poético de uma pessoa que está vivendo ‘enjaulada’ como todo mundo, expresso em versos que tem ritmo, melodia e imagens, foi uma graça que Deus me deu para suportar a tristeza de ver tanta gente morrendo”. Ele encerrou sua participação lendo dois poemas inéditos, parte de seu diário da pandemia.
 
Sobre essa primeira atividade na retomada do projeto Estação Cultural, o gerente de Comunicação Integrada da Trensurb, Jânio Ayres, afirma: “Nossa avaliação é que a iniciativa foi bastante positiva e resultou em um bom engajamento. O encontro com os autores está disponível na página do EMLsT, onde pode continuar sendo assistido e gerando interação com nossos leitores e demais seguidores. Já temos, inclusive, a programação de uma nova edição no dia 26.” Ayres agradece, ainda, a participação dos escritores e afirma ser uma honra para a Trensurb e o Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos. Para ele, a iniciativa representou uma forma de retomada dos serviços do Espaço Multicultural – fechado desde março devido à pandemia –, indo “além do acesso ao livro, pois provoca uma reflexão importante para o mundo da cultura nesse novo momento social”.

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